Luigi Giovanni Cavalca e Rosa Varzelloni

Além da comuna de Bagnolo San Vito, a região da Média Planície Mantovana é formada também pelas comunas de Castellucchio, Curtatone, Gazoldo degli Ippoliti, Mantova, Rodigo e Virgilio. A palavra "bagnolo" deriva do latim "balneum" e significa pântano, charco, brejo, atoleiro, lamaçal, indicando que a cidade foi construída sobre a várzea do rio Po. A origem desta localidade é muito antiga e remonta sua ocupação por parte da população de estirpe etrusca, para aproximadamente 500 A.C. e dos gauleses em torno de 153 a.C., onde o início do povoado se deu numa parte mais alta, ao sul, cerca de 20 m acima do nível do mar, circundado em grande parte pelas águas do rio Mincio. Sendo assim, em 10 de outubro de 1868, devido à assustadora inundação do rio Po e de seus afluentes, muitos banholenses foram obrigados a se mudarem para o município vizinho de Roncoferraro. Junto com eles a família de PAOLO e LEONILDA se estabeleceu nestas terras até que em 12 de fevereiro de 1876, nasceu ali seu quarto filho LUIGI GIOVANNI CAVALCA.

Os planos para a imigração ao Brasil começaram a ser traçados, pois em 1878, quando LUIGI contava com dois anos de idade, acompanhado de seus pais e os irmãos Antonio, Anunciata e Dina, embarcaram no porto de Genova. O destino era a Colônia de Porto Príncipe, no Vale do Rio Itajaí, em Santa Catarina.

Em 1891, com a criação de novas colônias no Vale do Paraíba, migrou para a Colônia do Piagüi e junto com seu pai e irmãos trabalhou na lavoura. Quando da posse dos lotes, LUIGI era menor de idade e não pode tornar-se proprietário. Em 1894, seu pai PAOLO deixou as terras aos cuidados de seu irmão Antonio e foram então trabalhar no "Núcleo Agrícola de Canas", na plantação de cana de açúcar.

Em Lorena, LUIGI casou-se com Roza Varzelloni, no dia 05/05/1894. Roza Varzelloni era filha dos imigrantes italianos Paschoalli Verzelloni e Felicita Bassani, oriundos da Comune di Aieta, Provincia di Cosenza, Regione della Calabria, Italia. Seus avós paternos eram Carlo Varzelloni e Maria Gandolfi e seus avós maternos eram Giuseppe Bassani e Maria Constantini

O Engenho Central de Lorena era do mesmo grupo de outras usinas em Piracicaba: Rafard e Porto Feliz no início do século XX, e a subsistência da família estava cada vez mais difícil, em 1898 partiu para trabalhar na plantação de café da fazenda "Criciumal", na então Vila de Leme, município de Araras – SP, onde nasceu sua primogênita Nilda (22/02/1899).

 

NILDA

Nilda casou-se com Benedito Marcellino de Oliveira, natural de Guaratinguetá, e tiveram doze filhos: Roque, casado com Rosa (Zazá) neta de seu tio Antonio, Dilo, Luíz, Laudelino, Aleixo, Virgínia, Benedito, Messias, Luzia, José, Antônio, Belmiro e Maria.

De volta à Guaratinguetá, nasceu Narcisa, falecida aos quatro meses de idade.

FRANCISCO

Seu primogênito, Francisco Cavalca Sobrinho, morreu aos 23 anos, vítima de afogamento no rio Paraíba do Sul.

JOÃO

Seu filho João Cavalca Sobrinho (também tratado por Joanin), casou-se com Maria Cardoso de Mello, foi proprietário de um pequeno armazém no bairro da Capituba, onde nasceu sua única filha Marina. Joanim foi administrador das fazendas "Sertão das Oliveiras", de propriedade do Dr. J. J. Abdalla e "Santa Emília" do Dr. Nilo Jardim, ambas em Pindamonhangaba. Daí partiu para Americana (Carioba) para administrar a fazenda "Salto Grande", depois para Mogi Mirim para a fazenda "D. Amélia", ambas do Dr. J. J. Abdalla. Esta prática de administrador fazendas, fez com que alguns dos Cavalca migrassem para várias regiões do Estado e por conseqüência estabelecessem suas raízes fora de Guaratinguetá. Depois do casamento de sua filha foram morar em São Bernardo do Campo, aonde vieram a falecer.

MARIA ANNA

Maria Anna Cavalca casou-se com Umberto Zangrandi e tiveram os filhos Rosa, Osvaldo, Maria do Carmo, Alice, Nair, Antônio e Rosa. A família Zangrandi é natural da Provincia di Cremona Regione della Lombardia, Itália.

Em 08/08/1911, adquiriu de Coronel Antônio José da Rocha e Aloysio Dubohy, 14 alqueires de terra, no bairro do Rio Acima, município de Guaratinguetá – SP.

GERALDA

Geralda Cavalca nasceu em Guaratinguetá - SP no bairro Rio Acima em 4 de fevereiro de 1910, onde veio a conhecer aquele que seria seu marido por 62 anos, Herculano Ribeiro Sobrinho, um mineiro raiz, nascido em Soledade de Itajubá – MG em 08 de março de 1901, filho de Alfredo da Costa Manso e Maria José Ribeiro contando com 25 anos de idade; cujo casamento se deu em Guaratinguetá-SP, aos 6 de fevereiro de 1926.

Herculano quando solteiro morava na Ponte de Zinco, Delfim Moreira - MG junto com seus pais.

Passados alguns anos, seu pai Alfredo comprou umas terras no bairro da Pedrinha, em Guaratinguetá – SP e quando se mudaram para lá, para cuidar das referidas terras; veio a conhecer Geralda que já morava lá. Foi amor à primeira vista, quando Herculano viu a Geralda numa festinha do bairro.

O namoro começou até que seu pai Alfredo mandou Herculano de volta para Ponte de Zinco, razão pela qual casou-se com Geralda em 6 de fevereiro de 1926.

O jovem casal mudou-se para as terras de Minas onde permaneceram no mesmo lugar, fixando ali sua residência e constituindo a numerosa família CAVALCA RIBEIRO com sua amada companheira.

Geralda foi uma mulher guerreira, submissa, casando-se 2 dias após completar 16 anos de idade, assumindo a responsabilidades de esposa e dona de casa A vida era difícil e trabalho pois trabalho era o que não faltava. Para cuidar da sua vida doméstica, Geralda contava com a ajuda da Geralda Missiana, e Herculano tinha como companheiro de todas as horas, Rafael, que o ajudava também na lida.

A união conjugal se manteve por 63 anos, até que aos 79 anos de idade, Geralda foi acometida de uma hemorragia digestiva aguda, vindo a falecer em domicílio na Ponte de Zinco em 25 de setembro de 1989.

Herculano ficou viúvo com 88 anos, passando então a ficar sob os cuidados dos filhos, especialmente a caçula Rosa, vindo a falecer em 21 de agosto de1991 com 90 anos de idade.

Com muita luta Herculano e Geralda conseguiram impor valiosas qualidade aos filhos, como honestidade, lealdade, humildade, trabalho, não deixando de dar constantemente e o amor necessário.

Foram gerados 16 filhos, sendo que a primeira gravidez resultou no aborto de uma menina Maria José e depois na décima primeira gravidez Geralda perdeu 2 meninos gêmeos, que nasceram prematuros.

Foram abençoados com outros 13 filhos: O primogênito José Benedito - o namorador e respeitado da família; Terezinha a resolvida e braba da família; Antônio (Tonho) -  festeiro e contador de causos; Maria José, mulher tranquila e conhecida como a tia caseira; Luiz - risonho, e pacífico; Deolinda (Diula), a cabeleireira e ajudante de todos; Luzia, a costureira, cuja mansidão é notável por todos; Herculano Filho, o compositor e religioso da família; Benedito Amâncio (Dito), o violeiro da família; Antônia Aparecida (Cida), a alegre e cantora de todas as horas; João - cantor e galã; Paulo Narciso, o caçulinha da família, cuidado por todos e Rosa Maria – a artesã da família, cujas mãos de fada ainda realizam lindos trabalhos.

É importante ressaltar que além desses especiais e valiosos filhos são personagens de uma música composta por Herculano Filho intitulada “Os Treze Irmãos”.

ANTONIO

Seu filho Antonio (Tonico) Cavalca Primo casou-se com Mafalda Zangrandi, irmã de Umberto Zangrandi e não tiveram filhos legítimos.

OLGA

Olga Cavalca casou-se com Eduardo Rodrigues Alves e tiveram os filhos José (Chichico) Francisco,

SEBASTIÃO

Seu filho Sebastião Cavalca casou-se com sua prima em segundo grau, Maria Hasmann, filha de Leonilda Palandi e Domingos Hasmann, e tiveram duas filhas Laís e Rosa.

JOSE

José (Juca) Cavalca casou-se com Maria Marques da Silva e tiveram sete filhos: Luiz, Luzia, Maria Graça, Cassilda, Creuza, Creide e Laércio.

BENEDITO

Seu filho Benedito (Dito) Cavalca Primo foi assim registrado porque LUIGI tinha um sobrinho com o mesmo nome, filho de seu irmão Martim. Dito também foi administrador da Fazenda São João das Oliveiras em Piracuama, em Pindamonhangaba – SP, pertencente ao grupo J. J. Abdalla. Também administrou a fazenda "São José", em Birigui onde nasceu sua filha Marina. Casou-se com Sebastiana Garcia Lisboa, natural de São José do Rio Preto e tiveram as filhas Heleni e Marina. Ditinho tinha uma pequena criação de gado, que depois de vendê-la foi para Campinas trabalhar no Laticínio Leco. Em Indaiatuba administrou a fazenda "Santa Adelaide" e aí se estabeleceu como proprietário de um açougue, até sua morte.

Seu filho Oscar Cavalca casou-se com Maria Aparecida de Jesus e tiveram 4 filhos: Hélio, Paulo, Cláudio e Elza.

LUIGI GIOVANNI CAVALCA faleceu no “Instituto Cirúrgico Gama Rodrigues”, em Guaratinguetá, às 9 horas e 50 minutos do dia 02/08/1942, vítima colapso cardíaco, conforme atestou Dr. Antônio Carlos Gama Rodrigues. Seu sepultamento deu-se no Cemitério Municipal do Pedregulho

ROZA VARZELLONI faleceu em Guaratinguetá no dia 30/10/1950, aos 71 anos, em decorrência de miocardite, na rua Tapajós, 801e seu sepultamento deu-se no Cemitério Municipal do Pedregulho.